Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007
Touradas
A TV estatal espanhola vai acabar com a transmissão das touradas. De Espanha, afinal vêm muito bons ventos.


publicado por fsc às 03:29
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Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2007
"Espírito de Xabregas"

Há blogues que tenho pena que desapareçam. Entre eles estão o Bloguítica, onde o Paulo Gorjão teve anos de estóica resistência, e o Notas Verbais, onde o Carlos Albino fez agitar muitas águas nas Necessidades.

 

Mas, confesso, faz-me muita falta o Espírito de Xabregas. Por todas as razões. 



publicado por fsc às 01:36
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Domingo, 16 de Dezembro de 2007
Pousada do Marão

Não me considero competente para discutir os critérios de gestão do grupo Pestana, cujas decisões redundaram no encerramento de algumas Pousadas. É um grupo empresarial responsável, com grande credibilidade, que honra a hotelaria portuguesa, no país e no estrangeiro. Não me choca o fecho de Pousadas como as de Almeida e da Batalha, ambos estabelecimentos sem qualquer traça e especiais características, agregadas à rede por decisões discutíveis. A Pousada da Quinta da Ortiga, entre Santiago de Cacém e Sines, que grupo vai perder em breve, por decisão judicial, é igualmente uma unidade incaracterística. A Pousada do Vale do Gaio, no Torrão, que foi encerrada, sendo embora tradicional, tem também muito pouco a ver com a linha das Pousadas de Portugal. Se fechassem a Pousada de Santa Cristina, em Condeixa, também daí não viria grande mal ao mundo.

 

Caso muito diferente é, porém, a Pousada do Marão. Nesse caso, estamos perante uma Pousada "clássica", do estilo da de Elvas, do estilo das primeiras que foram criadas. Seguindo estritos critérios economicistas, o grupo Pestana fechou esta Pousada, numa área com muito escassa oferta hoteleira. Nessa lógica, provavelmente têm razão. A questão está em saber se essa lógica deve prevalecer, acima de tudo. Quem miseravelmente se demitiu das suas responsabilidades, ao efectuar sem salvaguardas, o processo de privatização da Enatur foi o Estado, o qual, por incompetência ou outras razões, não soube ou não quis acautelar interesses patrimoniais relevantes para a memória cultural para a região. E não vi as Câmaras Municipais de Amarante e Vila Real reagirem, como deveriam ter feito. Agora, todos pagamos essa atitude de demissão de uns cavalheiros cujo nome ninguém sabe e que, muito provavelmente, andam para aí a pavonear-se, bem motorizados, como gestores privados. Uma vez mais se prova que a culpa morre muitas vezes solteira no Estado português, graças a quem o não soube servir. E que ninguém paga por isso. No Brasil chamam a isso "privataria".



publicado por fsc às 04:28
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Sexta-feira, 14 de Dezembro de 2007
ASAE

Eu sou um fã da ASAE. É muito importante, porventura queimando algumas etapas, com preço pesado para alguns sectores, sair do medievalismo em que ainda se processa em Portugal o trabalho de muitos produtores ou prestadores de serviços. Cumprir regras que têm a ver com a salubridade e o bem-estar colectivos, recusando uma saloia subsidiariedade à luz dos "usos e costumes" tradicionais, é apenas um acto de bom senso. E de modernidade. O resto é reaccionarismo, goste-se ou não de assumir isso.



publicado por fsc às 17:27
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Timor
"Impaciência e frustração" é o que a comunidade internacional sente com a lentidão da reconciliação interna timorense, diz o SG das Nações Unidas. Tem toda a razão.


publicado por fsc às 17:04
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"Rio das Flores"

"Rio das Flores", o último romance de Miguel Sousa Tavares, é uma desilusão.

"Equador" foi um sucesso. Era um romance "light", bem construído, com uma linguagem que se colava inteligentemente a Eça de Queirós, o que a época histórica facilitava. Não era, sejamos claros, um grande romance. Mas era um texto de "consumo", aquilo que uma certa classe média tem pachorra para ler.

Pensava-se que "Rio das Flores" seria superior. Não é. É uma trama que, salvo as devidas distâncias, lembra o realismo socialista: os bons, os maus, os hesitantes, as figuras de composição social tipificada. O objectivo era contar a história tendo como cenário a transição da I República para o Estado Novo. Aí o romance foi longe demais em ambição, assumindo-se o autor como leitor culto da História lusa; para a crítica disso, já bastou Vasco Pulido Valente. Quanto ao resto, é um texto algo pretencioso mas, ao mesmo tempo, com uma certa ingenuidade. Pôr um alentejano com um tropismo cosmopolita a descrever as nuances da política interna brasileira numa carta à sua mulher, que nunca fora dada a grandes voos, não lembra a ninguém. Perdão, lembrou a MST e o romance paga por isso. 

 



publicado por fsc às 16:40
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Terça-feira, 11 de Dezembro de 2007
"Era no Tempo do Rei"

Simplesmente magnífico, o novo livro de Ruy Castro que conta, com muita graça, a história do improvável encontro e das ainda mais implausíveis aventuras do futuro D. Pedro I do Brasil (D. Pedro IV de Portugal - conta-se que Américo Tomás explicava a diferença numérica pela diferença horária...) - com um jovem de rua da sua idade, no Rio de Janeiro onde a Corte portuguesa havia aportado em 1908.

 

Ruy Castro era-me mais conhecido pelas suas biografias, entre as quais a de Carmen Miranda e de Nelson Rodrigues, do que pela ficção, por onde também andara mas que não frequentei. Com uma escrita ágil, rica em colorido e um ritmo que lembra o romance policial, Castro traz-nos um retrato fantasiado de um Rio onde se cruzam os restos patéticos do absolutismo europeu com os vícios dos aventureiros da colónia. Um livro muito agradável, nestes tempos em que D. João VI e a sua mulher aparecem por todos os cantos da imprensa brasileira - nem sempre bem, mas isso são outras histórias. 



publicado por fsc às 01:18
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Jantar da Dois

Vai ser no VirGula, do procopiano Pedro Rodrigues, ex-Tradicional de Almancil. Não refiro o dia para evitar enchentes de televisões e jornalistas, mas está assegurado que a Mesa Dois do Procópio se vai alargar até quase 60 convivas. Porém, desta vez, não haverá "Documento de Xabregas". 



publicado por fsc às 00:12
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Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
Maurício Levy

A noticia chegou-me hoje pelo Ferro Rodrigues: morreu o Maurício Levy, aparentemente de forma violenta.

 

Conhecemo-nos na tropa, nos idos de 70, onde fui seu instrutor. Depois de Abril, passámos a ver-nos pelo MES e a encontrar-nos, um pouco por acaso, nos últimos 30 anos. Tinha um sorriso adolescente como saudavelmente adolescente era o seu gosto pelos comboios, de que era um dos grandes especialistas em Portugal. De Londres, cheguei a mandar-lhe livros para alimento desse magnífico "vício". Vi-o, pela última vez, creio que no CCB, há pouco mais de um ano. Esta é uma geração que, não sendo perdida, se vai perdendo aos poucos.



publicado por fsc às 17:10
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Almeida Santos

Há dias em que as instituições têm razões para se sentirem felizes. Hoje a Universidade de Coimbra deve estar contente consigo própria por consagrar, como doutor "honoris causa" um homem como António Almeida Santos. Uma homenagem justa para um homem que deu muito ao seu país. Valham-nos dias destes...



publicado por fsc às 04:38
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Domingo, 9 de Dezembro de 2007
Ainda a Europa

Sairá a público, no dia 19 de Dezembro, o volume "20 Anos de Integração Europeia (1986-2006) - O Testemunho Português", editado pela Cosmos, sob a coordenação de Nicolau Andresen Leitão, que inclui um conjunto de testemunhos em que participo com o texto que aqui se reproduz.



publicado por fsc às 23:27
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UE - África

Portugal caminha para o fim da sua mais bem sucedida Presidência da União Europeia de sempre. E sei do que falo...

A Cimeira UE-África é o culminar de um trabalho de longo curso. Parabéns, Luis Amado e João Gomes Cravinho, pela visão e determinação demonstradas ao longo de meses. Nada será igual, na relação entre a Europa e a África, daqui para a frente.



publicado por fsc às 20:50
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António Marinho

Vai surpreender muita gente o novo Bastonário da Ordem dos Advogados. Por isso, aqui fica um forte abraço para o meu velho amigo António Marinho. "Velho", no bom sentido, entenda-se !



publicado por fsc às 20:38
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Procópio

Não estive lá, na festa da Alice, para o abraço procopiano. Mas escrevi um texto de memória para o livro que celebrou o meu bar preferido de Lisboa e que pode ser lido aqui.



publicado por fsc às 20:24
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